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Entrevistas

Diogo Morgado

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Do Fogueteiro para Hollywood

"Quero ser Pai Natal para o meu filho durante muitos anos"

Tem 33 anos, a idade do “Jesus” que lhe deu maior notoriedade no último ano. Com 17 anos de carreira, Diogo Morgado passou do papel de “redentor” para o de malvado da novela Sol de Inverno.

Já era conhecido e famoso antes de ter feito o papel de Jesus na série A Bíblia: esse papel foi um passo muito grande para consolidar essa fama?

D.M. Essa coisa de famoso e fama é complexa de se falar. Mas conhecido, sem dúvida. O que aconteceu na prática foi ter ficado mais conhecido fora de Portugal, ter passado a haver um maior número de pessoas que sabem que eu cá ando e que conhecem o meu trabalho. Se o passo foi muito grande? Acho que um passo grande foi quando, aos 15 anos, me vi a representar ao lado do Armando Cortez… Representar? Na altura nem representava, sobrevivia numa cena com o Armando, a Lídia Franco e o Nicolau Breyner… Esse é que foi um salto muito grande.

Mas o papel de Jesus abriu novas oportunidades, novas propostas, deu-lhe uma maior exposição.

D.M. Foi isso: deu-me maior exposição e este mundo é mesmo assim. Quanto mais pessoas conhecerem o nosso trabalho, maior é o interesse que essa pessoa desperta no mercado e a diversos projectos. Passei a ser conhecido noutros mercados e isso representa mais ofertas de trabalho.

Talvez não aumente muito a conta bancária…

D.M. Isso são outros 500! Se eu tivesse vindo para esta profissão para ganhar dinheiro, teria sido louco. Em Portugal, então, só um pequeníssimo número de actores consegue ganhar algum dinheiro; os outros é apenas por amor à arte e ganhar o suficiente para se ir vivendo.

Essa exposição fez com que fosse convidado por Oprah Winfrey. Qual foi a sensação?

D.M. Foi fantástica! Fiquei muito, muito feliz; descaradamente contente!

Não pensou que fosse brincadeira?

D.M. Não, não pensei, porque eu sabia que ela estava a acompanhar a série e até tinha colocado alguns Twitters a comentar, portanto eu sabia que ela a via. Digamos que foi uma felicidade muito grande, mas não foi uma surpresa porque, para mim, ela é o exemplo que o poder não necessita de corromper as pessoas.

Foi difícil o período “antes de Cristo”, com os castings, os agentes, tudo isso?

D.M. Foi surpreendentemente natural. Eu tenho um agente lá, no Canal História, e os produtores chegaram até mim e pediram para eu fazer um casting que depois deu origem a uma conversa com os produtores e dois dias depois recebi a confirmação de que ficava. Aí, sim, é que começou uma longa jornada de emoções e de experiências que eu vou guardar para sempre. Essa foi a parte elaborada, intensa e complexa.

Já se mostrou fascinado pelo percurso de Robert Downey Jr., que teve uma ascensão, uma queda e uma “ressurreição”. Há um paralelo entre ele e você, que foi Jesus, uma personagem boa e agora, na novela Sol de Inverno, da Sic,  é um…

D.M. [risos] Um parvalhão, não tem nada que se aproveite… O tipo é muito mau carácter, mesmo. Mas aquilo que eu admiro no Robert (como também no Marlon Brando) é que ele imprime às suas personagens uma coisa que não existe no mercado: ele sempre rasgou com os conceitos, utiliza contratempos, interrompe, é muito enérgico e espontâneo. E parece que aquilo tudo é no momento, quando é muitíssimo trabalhado e eficaz.

Ter feito de Jesus é uma coisa que o marca e o afasta de outros projetos, por ser uma personagem muito forte?

D.M. Isso pode acontecer com outros. O Jim Caviezel, por exemplo, que já era conhecido e fez um filme muito polémico. Comigo não, porque eu não era ninguém e essa experiência só deu frutos positivos, há projetos em cima da mesa, fiz dois filmes que vão estrear este ano nos Estados Unidos.

Poderia fazer um filme em que fosse Judas?

D.M. Não teria qualquer pudor. Desde que a história fosse boa e o texto bom, não vejo porque não.

Agora está nesta novela, onde tem um papel…

D.M. …espectacular!

Espetacular e repugnante ao mesmo tempo…

D.M. Não é nada! O gajo é tão simpático! Só que é incompreendido…

Gravar uma novela é longo. Também é monótono?

D.M. Monótono não é nada. Longo, sim. Costumam dizer que uma novela é uma maratona e quem já deu uma corridinha percebe que não se pode fazer tudo de uma vez: é tudo uma questão de gestão de energia, de tempo, de vida profissional com vida pessoal. Para quem tem filhos, como é o meu caso, tudo tem que ser gerido. Mas tem o outro lado, que é quando conseguimos cenas muito boas e ficamos contentes. Ainda há pouco estava a falar com a Maria João Luís e ela vira-se para mim e diz: “Eh pá, hoje saio satisfeitinha!” Ou quando as pessoas nos dizem: “A maneira como você disse aquilo, só me deu vontade de lhe bater!”

Esse esforço e essa gestão compensam?

D.M. Compensam, sim. Como o cinema em Portugal tem uma expressão muito reduzida, a televisão é a forma que temos de chegar às pessoas e de entrar, sem querer, na vida delas.

Preciso sempre de olhar para trás, ver se dei tropeções e se aprendi com eles e, lá no fundo, está sempre o miúdo que jogava à bola no Fogueteiro.

Os seus pais queriam que tirasse um curso?

D.M. É verdade. Mas eu decidi ver como era isto, por dentro. Fiz televisão, voltei ao teatro e depois fiz um casting para o Amo-te Teresa e foi aí que as pessoas começaram a saber o meu nome. Quando cheguei aos 21 ou 22 anos, achei que tinha de me profissionalizar em alguma coisa – e aí percebi que estava “agarrado”.

Queriam que tirasse algum curso em especial?

D.M. Não, era só a questão da defesa, que hoje já não existe…

Já disse que será sempre “o miúdo que cresceu no Fogueteiro”. Que implicações tem a frase?

D.M. Tem a ver com o nunca nos esquecermos de onde viemos. Preciso sempre de olhar para trás, ver se dei tropeções e se aprendi com eles e, lá no fundo, está sempre o miúdo que jogava à bola no Fogueteiro.

Continua a ir lá para jogar à bola?

D.M. Não, já não. Tornei-me preguiçoso… Mas continuo a morar num raio de 10 quilómetros e passo muitas vezes pelos sítios onde cresci, porque me faz falta. Vivi três meses em Lisboa, que é a cidade mais bonita do mundo, e tive de a deixar porque me faltava o meu bairro, não era a minha rua, não era onde eu jogava à bola.

Fala muito dos seus pais e raramente do seu filho…

D.M. Por acaso é mais ao contrário… Antes de ele nascer não falava nele, claro: mas agora falar no meu filho é a maior alegria que me podem dar! Perguntem-me coisas sobre o meu filho!

Viu-o a fazer de Cristo?

D.M. Não, coitadinho, tem quatro anos! Ver o pai a sofrer? Nem pensar.

É que ter um pai que é Jesus é melhor do que um que é Pai Natal.

D.M. Mas de Pai Natal faço lá em casa e de Jesus nunca… Jesus fiz uma vez e Pai Natal sou todos os anos, desde que ele nasceu. E quero ser Pai Natal para o meu filho durante muitos anos. Como sou ator tenho obrigação de o “enganar” até aos dez anos [risos]!

Como se mantém em boa forma física?

D.M. Basicamente tendo cuidado com aquilo que como.

Podia ser com uma peladinha no Fogueteiro…

D.M. Não, a peladinha no Fogueteiro já foi, agora jogo uma peladinha na sala com o meu filho, mas não dá para cansar nem para suar… ainda! Há de dar…

Costuma cozinhar?

D.M. Agora que estou a fazer novela, menos. Mas costumo, sim.

O quê?

D.M. Um bocadinho de tudo. Não tenho grande mão para os doces, mas gosto de peixe no forno, gosto de fazer muitos tipos de massas, com atum, com especiarias, com molhos malucos! Adoro fazer lasanha. Mas também gosto de uma carne estufada, de amêijoas à Bulhão Pato… Pronto, já estou cheio de fome!

Que classificação se atribui como chefe, a fazer as massas e as outras coisas lá em casa?

D.M. A mim mesmo? A cozinhar? Sou um humilde e honesto 6.

Quando está na cozinha, que utensílio não dispensa?

D.M. Ora, a colher de pau! Como é que uma pessoa faz alguma coisa sem uma colher de pau?

Um ingrediente que não dispense.

D.M. Cebola e azeite.

Quando andou por fora, a filmar, gostou da gastronomia desses locais?

D.M. Nada! Havia umas tagines de que não desgostava, das 25 mil que eles têm [em Marrocos].

Tem alguma cozinha internacional de que goste?

D.M. Então não!? Sushi! Às vezes até sonho com sushi! Não executo, mas papo-o com uma pinta!

A cozinha portuguesa é a melhor do mundo?

D.M. Sem sombra de dúvida. Do mundo que eu conheço, que não conheço todo.

Que aromas guarda da infância?

D.M. O das açordas, o do alho com o azeite, das azeitonas…

Dá importância ao Natal?

D.M. Dou. E agora, desenvolvo?

Como é que o festeja?

D.M. Em família, claro. Antes de haver crianças era diferente, mas com elas voltou a ser Natal outra vez, que é aquele Natal mais giro, o Natal das crianças.

Num jantar de Natal em família, o que não pode faltar?

D.M. O peru… Ah, não, consoada é bacalhau! E nos últimos dois anos tenho-me atrevido num polvo. Mas as pessoas vão sempre para o bacalhau… Quero acreditar que é porque gostam mais de bacalhau. Porque o polvo não é mau, ahn? Eu faço um polvo honesto e porreiro.

A receita do Diogo

COGUMELOS COM FARINHEIRA

Ingredientes

› 4 cogumelos grandes
› 1 farinheira
› 2 maçãs reinetas
› queijo flamengo q.b.
› coentros q.b.
› doce de morango q.b.

Preparação

› Lave e escove bem os cogumelos. Escave-os e deixe-os a escorrer.
› Coza as maçãs e misture-as com
a farinheira até obter um puré.
› Recheie os cogumelos com este preparado. Coloque por cima de cada um uma fatia de queijo e coentros picados.
› Leve-os ao forno até ficarem assados e o queijo derretido.
› Em vez do queijo, pode optar por colocar doce de morango.

Num minuto

Ator preferido: Tom Hanks.

Filme da sua vida: Forrest Gump.

Com quem gostaria de contracenar: Tom Hanks.

Um disco: A Valsa dos Detectives, dos GNR.

Um destino: Peru.

Se não fosse actor…  era triste.

Sonho por realizar: uma longa-metragem.

Defeitos e virtudes: levo as coisas muito a peito. Nas qualidades, sou persistente e descaradamente honesto.

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