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Entrevistas

Bruno Cabrerizo

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Não abandonei o futebol, foi o futebol que me abandonou a mim

Como é que um brasileiro com raízes italianas vem parar a Portugal?
Há pouco mais de dois anos o meu agente aqui em Portugal, o Énio Rodrigues, da Karacter Agency, assumiu a parte dos atores e ao rever o material que lá estava encontrou o meu currículo. Nessa altura tinham
aberto os castings para o Santiago, de A Única Mulher, e o Énio pediu-me para lhe enviar mais material. Acabei por ser escolhido.

Queria ser jogador de futebol, mas acabou por ser ator. Uma mudança bastante radical, não?
Não acho tanto assim, porque têm pontos em comum, principalmente em termos de concorrência.
Em qualquer das áreas temos de lutar com as “ameaças” dos respetivos mercados. Mas eu ainda cheguei a jogar…

E era bom, jogava alguma coisa?
Ah, isso é outra coisa! Se eu fosse bom ainda estaria a jogar… Acho que não fui eu que parei de jogar, pararam comigo… Foram parando comigo ao longo dos anos.

Pensando nisso, de facto a carreira artística é tão competitiva como a de um futebolista…
Eu faço essa comparação porque acho que são muito parecidas, sob essa perspetiva. É muito semelhante o ser ator e o desporto de alta competição, há muita concorrência. Como dizemos em relação ao futebol, no Brasil, “temos de matar um leão por dia”. No mundo da representação é o mesmo, temos de mostrar que estamos lá, temos de dar o nosso melhor. Só “estando lá”, como eu digo, podemos ir atingindo patamares superiores.

Teve formação de ator?
Fiz essa formação em Itália. Quando abandonei o futebol (ou o futebol me abandonou a mim…) fui trabalhar para Itália como modelo e paguei a minha formação de ator com o dinheiro que ganhei com a moda.

Teve o seu momento alto em Portugal com a novela A Única Mulher, que começou a ser gravada em finais de 2014 e terminou na primeira semana deste ano. Foi uma maratona…
É verdade, mas foi uma maratona boa. Perguntavam-me muitas vezes se estava cansado, ao que respondia que não. Não tenho nada a reclamar da novela A Única Mulher: estava a fazer aquilo que amo, estava empregado e todos os dias dava graças por isso. Quantos colegas de profissão desejariam ter essa mesma estabilidade, um lugar garantido numa novela e no fim do mês o seu salário? Tive a oportunidade de ter isso durante dois anos, aliado ao facto de ter sido um projeto vencedor e de eu ter participado ao longo desse período num curso intensivo– e melhor do que isso não há. Tive sorte e ainda fui pago para isso! Foi uma formação plena, com prática. Mas essa formação não se limita a um ou dois anos, tem de existir durante toda a carreira.

Participou também no Dança com as Estrelas, em que ficou classificado em segundo lugar, mas já tinha entrado na versão italiana, em que ficou em terceiro. Aprendeu a dançar melhor?
Olhe, isso também foi uma grande aprendizagem! Quando entrei no primeiro, em Itália, era um autêntico pedaço de madeira… Piede di legno, como eles dizem por lá, equivalente ao pé-de-chumbo aqui de Portugal. Mas foi bom, foram três meses num programa intensivo e a nível de programa de televisão, foi aquele em que mais me diverti. Fiz um workshop muito intenso, de forma que quando surgiu a oportunidade, em Portugal, de fazer um
programa semelhante, eu já vinha com uma certa preparação. Mais do que com conhecimentos de dança, vinha com um saber de como funcionam os processos naquele programa, porque o formato é basicamente igual, só muda o país e a língua.

E que nos diz da sua experiência num outro projeto em que foi mentor: Pequenos Gigantes?
Esse foi um outro projeto da Endemol que se seguiu ao Dança com as Estrelas. Fui convidado porque acho que eles pensaram que eu tinha um certo carisma junto do público e, não menos importante, porque tenho filhos e o programa tratava de lidar com crianças. O programa de dança ainda não tinha terminado e já eles me tinham convidado – e eu aceitado.

As coisas correram bem?
Muito bem. Tão bem que acabei por chegar com o meu grupo Os Traquinas às meias-finais. E o que eu fiz com esses Traquinas foi passar a ideia de que aquilo não era para levar a sério, era apenas uma brincadeira para nos divertirmos todos. E eram umas crianças fabulosas!

E agora é Laurentino em Ouro Verde, um fazendeiro que se sente injustiçado. Mas esteve um tempo ausente. Que lhe aconteceu e o que se vai passar a seguir?
Se me garantir que isto só sai no mês combinado, eu conto… Estamos apalavrados? Muito bem. O que se estará a assistir por essa altura explica tudo isso. Já perceberam que eu estive preso (eu não: o
Laurentino) e que voltei para infernizar a vida do Jorge, acabando por me aliar ao Miguel, a personagem do Luís Esparteiro. Vá seguindo, que a coisa
promete!

Você é considerado um dos homens mais bonitos e mais sexy…
Mas quem foi o louco que disse uma coisa dessas?!

Qual é a sensação de se ser considerado bonito e sexy?
Sabe, eu não ligo muito a essas coisas… Mas acabo por achar engraçadas essas “enquetes”, que acabam por gerar assunto na Internet, porque é melhor ser falado por essas coisas do que por coisas ruins. Portanto, agradeço a quem acha, apesar de discordar completamente, e levo isso numa boa mas sem dar muito peso: não é esse o foco da minha carreira. Talvez eu seja carismático, apenas isso.

Que sonhos tem para a sua carreira?
Espero poder fazer sempre aquilo que amo e ter oportunidade para trabalhar. Se eu puder continuar a ter aquilo que tive nos últimos anos em Portugal, como ator, então para mim está ótimo. Falando por mim próprio, como Bruno, aquilo que desejo é ter saúde, que é fundamental.

Como é que cuida do seu aspeto físico? Veio do ginásio para falar connosco, portanto há aí muito exercício?
Mais ou menos… Eu sou bom de garfo, mas como muita besteira, portanto tenho de compensaros disparates que faço na alimentação. Se um dia como de mais, tento compensar no dia seguinte. Portanto, arranjo sempre um tempo para o ginásio dentro da agenda das gravações. E não deixo de jogar à bola, claro! Mas também tive sorte, geneticamente, porque não tenho tendência para engordar.
Só tenho que ter cuidado porque o metabolismo fica mais lento.

Disse que gosta de comer e que por vezes se excede. Gosta de comer o quê?
Qualquer coisa!

Gosta da cozinha portuguesa?
Gosto muito da culinária portuguesa, adoro.

Tem um prato português preferido?
Gosto muito de comer um bitoque. Gosto muito de carne, talvez por ser brasileiro, e o bitoque é o prato mais objetivo para o meu paladar.

Mas no Brasil não existe o bitoque?
Não é bem: aqui, o bitoque é um prato de carne com um ovo por cima, enquanto no Brasil podemos ter as duas coisas, mas separadamente.

Sendo pai de dois filhos [uma menina com seis anos e um menino com três e meio], de certeza que sabe cozinhar.
Não sei, não… Não sei cozinhar mas, quando estou com fome, odeio esperar. Não ouso cozinhar para os outros, cozinho para mim. E para a minha namorada que, coitada!, aceita tudo com um sorriso nos lábios… Mas quando cozinho para mim acabo por comer tudo quase cru, porque não tenho paciência para esperar.

A ser assim, vale a pena pedir-lhe uma receita?
Ia ser difícil. A não ser que você estivesse pelos
ajustes e aceitasse uma receita de tosta [risos]...

Respostas rápidas

Livro preferido
O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry.

Um filme de eleição
Ui, são tantos! Posso passar?

Um sonho de criança
Fazer aquilo que faço: ser ator.

Um defeito
Meu? Tenho de fazer um filtro, tenho muitos… Lunático.

Uma viagem de sonho
Uma passagem de ano que tive em Porto Seguro.

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